
Parabéns Sophia
Um presente para uma grande prenda
De uma relação professor - aluno, tão normal como todas as outras, deixou rapidamente de ser considerada, para mim, como princípio dessa normalidade, pois havia qualquer coisa que tornava tudo diferente e especial. Curiosamente, era de longe das disciplinas que gostava menos e consequentemente, tinha piores resultados relativamente a todas as outras. No entanto, desde logo era notória a forma como encarava a professora, podia até por vezes nem estar a entender nada do que se passava, mas eu estava lá, no meu lugar, na primeira fila – lugar esse, que ainda hoje se encontra marcado nas nossas mentes.
Diria até que a minha visão em plena adolescência, um período do ciclo vital particularmente importante, era de como que se a professora Sophia fosse o meu ídolo, daqueles que os adolescentes consideram impossíveis de se lá chegar, mas mesmo assim tentam tudo para seguir aquele modelo, inventando à sua maneira. Mas essa parte do modelo também não se adequava a mim, pois seguir aquele modelo era algo completamente impensável uma vez que as artes e eu, nunca tivemos uma relação muito positiva. Gosto de apreciar… mas fico-me só pelo apreciar.
Quando muito, era capaz de experienciar a nossa arte relojoeira porque fora isso não me identifico. Aprecio muitas artes, mas outro tipo de artes…
Por já me estar a alongar um bocadinho quero só acrescentar que isto foi uma forma de introduzir o início de uma grande amizade, que começando quando ainda pertencia à infância, se estende até aos dias de hoje. Para além disso, tudo isto revela o quanto podemos aprender com aqueles que tanto nos transmitem saber, neste caso específico da educação em contexto escolar mas, no entanto, existem igualmente outras formas de interacção. O estatuto de professora ficou nessa idade fantasiada, com a sua marca evidente, de modo que posteriormente a professora passou à confidente, única, fantástica, e a sempre “mãe adoptiva” Sophia.
Quero apenas, neste dia tão especial, não só felicitar, como também afirmar o meu obrigado, por tudo. E mais ainda, por saber que por maior que seja à distância, as nossas palavras nunca deixam de ser pronunciadas, seja por qualquer meio, e por qualquer “Ai” que eu dê, terei sempre aquele apoio, força, partilha e união que só nós sabemos. Nem que tenha que fazer alguns quilómetros, a pé ou de qualquer outra forma, nem que eu tenha que correr desenfreadamente para não perder a boleia que sempre adorei. Obrigada por tanto me fazer crescer, por estar sempre do meu lado e por aquilo que já vivemos que afinal nada é comparado àquilo que ainda vamos viver. As maiores felicidades do Mundo, minha fófinha!
Sorrisos
US Open
Falar é fácil
Felicidade
Oscar Wilde
Eu amo você
Provérbio
Saudade
O verdadeiro modo de amar
O sol espreitava radiante por entre as janelas, iluminando todas as divisões daquela que era sua verdadeira casa. O seu âmbito profissional dava-lhes alguns afazeres para aquele dia, mas o estado do tempo insistia em levá-los por outros caminhos… Fugindo de todas preocupações, partiram para outra fuga… uma fuga rejuvenescedora, providenciando um bem-estar que mutuamente desejavam.
Partiram numa viagem sem rumo, onde o principal fim era a satisfação e entrega total a um estado de vida saudável. Percorreram alguns quilómetros até que então encontraram o paraíso que lhes daria o equilíbrio necessário para restabelecer as energias perdidas nos dias anteriores. O mar parecia calmo, e depressa ela correu para sentir o prazer refrescante do mesmo. Mas, em poucos passos, sentiu-o, ali, que exprimia o seu carinho num abraço reconfortante.
Ali ficaram, caminhando serenamente, mas sempre tendo as suas mãos como meio de união, ao encontro daquela brisa revitalizante. De repente, ela direccionou o seu olhar para ele, apenas e só para ele. Apetecia-lhe olhá-lo, apetecia-lhe ver aqueles olhos brilhantes pelos quais se apaixonou de uma forma incrivelmente indescritível. E foi aí que ele a observou, retribuindo o seu olhar e transportando-a.
Num abrir e fechar de olhos via-se junto a ele, envolvidos pela acalmia das ondas, e do sol que insistia em sorrir-lhes. Era como se não existisse mais nada à sua volta, os seus braços davam-lhe a segurança que precisava naquele momento. Não só os braços, como também todas as partes que desde sempre os uniram e se transformaram em barreiras que os protegiam de qualquer obstáculo ao seu singelo sentimento. Apesar de estar em terra, sentia-se como a gaivota que voava livremente, porque também ela se deixou voar na paixão que viram neles nascer.
Quando o sol já se escondia, resolveram regressar. E de novo chegaram ao seu espaço, com um cansaço próprio dos dias escaldantes de Verão, mas completamente providos de uma alegria imensa. Enquanto ele fez questão de arrumar os sacos que tinham levado, ela correu para que o sofá pudesse ser todo seu. Tinha apenas estendido todo o seu corpo, quando sentiu aquele toque inconfundível na sua face, acompanhado de mimos tão carinhosos quanto ele.
Em pouco tempo, deu-lhe lugar para que pudesse acompanhá-la na sua viagem pelo conforto, abraçada pelo aconchego oriundo dele. “Ai” – suspirou. Num suspiro de quem sentia uma felicidade única, depois de um dia de tão boas brincadeiras em conjunto, como se de crianças se tratassem, e onde aquilo que os une falara mais alto, como sempre.
Viu-o quieto, demasiadamente quieto, e foi assim que constatou que tinha sido levado pela viagem do sono. Depressa o acarinhou, amaciando o seu cabelo como ele tanto gostava que ela fizesse. Ficou ali, no consolo de o poder ver adormecido, pois era algo que não perdia nunca a oportunidade de ter consigo quando já viajava por um sonho. Como é bom, como é tão bom sentir aquilo que só o seu coração sabia naquele momento. Tê-lo ali, nos seus braços, poder beijá-lo afectuosamente, ter consigo o homem da sua vida e quem algum dia tivera desejado.
Ali, onde acabou por adormecer e entregar-se ao sonho que ele partilhava, uma realidade tão impossível de ser exprimida por qualquer meio, a não ser o deles, aquilo que conjuntamente viviam e respiravam – o seu verdadeiro modo de amar.










