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Fofocas: "Andar a nove"

A expressão popular "andar a nove" utiliza-se em Portugal e tem com significado "andar muito depressa, atarefado, em grande azáfama". Essa expressão resulta do aparecimento dos eléctricos, há pouco mais de um século.

A velocidade dos eléctricos era (e ainda é, nos poucos que ainda circulam) comandada pelo guarda-freio (condutor do eléctrico) com um manípulo que marca nove pontos. O ponto nove correspondia à velocidade máxima, raramente usada nas ruas e ruelas íngremes de Lisboa. "Andar a nove" era, portanto, uma velocidade estonteante.

Na madrugada do dia 31 de Agosto de 1901, começou a funcionar a primeira linha de carros eléctricos, que se estendia do Cais do Sodré a Ribamar (Algés). Citando um jornal da época, "a inauguração da tracção eléctrica satisfez completamente o público que, em grande número, concorreu a presenciar o importante melhoramento, a elegância luxuosa dos carros, a comodidade que oferecem aos passageiros e a rapidez da marcha".:
Por volta de 1905 já toda a rede estava electrificada, tendo os Americanos desaparecido das ruas de Lisboa.


Até ao funcionamento dos eléctricos, os transportes públicos de Lisboa eram feitos pelos Americanos, de tracção animal. Surgiram em Lisboa em 1873, através do escritor Luciano Cordeiro de Sousa e seu irmão Francisco Cordeiro de Sousa, diplomata, que obtêm os direitos para a implantação na cidade de um sistema de transporte do tipo americano denominado Viação CarrilVicinal e Urbana a Força Animal. Em 14 de Fevereiro, a Câmara Municipal de Lisboa aprova o trespasse daquela concessão para a Empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa. Em 17 de Novembro do mesmo ano, é inaugurada a primeira linha de Americanos. O troço então aberto ao público estendia-se entre a Estação da Linha Férrea do Norte e Leste (Sta Apolónia) e o extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).

Fonte - Carris