Mais bonita em noites de luar, a tarefa de descamisar o milho era um trabalho comunitário entre familiares e vizinhos. Nas eiras, que então pareciam espelhos a reflectir a luz da lua, sentavam-se os convivas em pequenos bancos de madeira, em redor do grande monte de espigas apanhadas uns dias antes, à torreira do sol. Começando então do lado da barba, tiravam-se as "folhas" exteriores, mais secas e ásperas. Finalmente, tirava-se a barba à espiga descamisada e atirava-se esta para o cesto de vime onde já estavam outras como ela.
Quando, em vez de uma espiga amarela, aparecia uma espiga vermelha, a que nós chamava-mos milho rei, havia palmas e votos de boa sorte Na minha memória, estes serões eram sempre tépidos. A saudade do milho rei fará que no próximo ano levemos a efeito uma "desfolhada".

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