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COIMBRA


Ainda e sempre um encanto, mesmo à chegada, sobretudo ao regresso. A cidade está um pouco abandonada, o que se torna mais evidente nesta altura do ano em que as trupes estudantis ainda queimam ao sol de verão. Coimbra abandonada pela História, pelos novos academismos, pelos arquitectos e urbanistas, pelo amor dos seus cidadãos. As casas estão velhas, constrói-se sem ordem, o Mondego resiste aos ataques, mas dá sinais de cansaço. E, ainda assim, Coimbra, a da baixa e a da alta, dos ecos e da cabra, dos gritos solitários e distintos a meio da noite, dos jardins e dos becos. O prazer de passear pelas travessas da Rua da Sofia é ainda o mesmo, sobretudo madrugada fora, quando a nossa voz perpassa as esquinas e nos ultrapassa, até que se cruze com a de outro romeiro. O Choupal e o Penedo da Saudade, a Sé Velha e o Machado de Castro são ainda os mesmos, como os cantos pelas escadarias e os fados em casa própria. Só o tempo é outro, um tempo em que Coimbra parece ter cada vez mais rugas, ser mais deixada à sua própria dor.
Quando é que um tuno a canta, uma guitarra a embala e um jardineiro a torna flor?