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A Festa do Rato...e do Gato



Um dia, o Big Boss Rato dum serviço lá do sítio comemorava mais um dos seus gloriosos anos de ouro. Como oferenda a tal comemoração, o costume trazia o empenho entre todos os colegas em preparar uma festeta com paparoca e bolo, e claro que a prendoca com um postal à maneira com direito a dedicatória e tudo, como também trazia o costume que o aniversariante lia em voz alta as dedicatórias que lhe eram feitas.

O Postal tinha a figura de uma pássaro chamado “Tentilhões�, da família dos Fingilídeos, sedentário e muito frequente em Portugal, que, para além de muitos mais outros nomes ter, é também conhecido numa expressão de gabarolice “armar aos tentilhões�. Trazia uma frase que a memória me atraiçoa, mas alusiva ao coitadinho do passarinho que não tinha patas e ao aterrar dava com os “tilhões� no chão, ui . ui. . .ui. . .

O dos Small, um Gato Bravo, ao ver o postal que os colegas tinham comprado para o Big Cheef, a respiração susteve ao ver que as brechas deixadas nas entrelinhas da frase lhe dariam alento para (embora sendo cruel a hora já que era o seu aniversário) aproveitar a oportunidade e transmitir uma mensagem que lhe tocasse, educasse não só a ele mas também a todos os que ele representava, a todos os que vão castrando a trajectória profissional de muitos. E Eis que ao Grato Bravo lhe sobe o alento e escreveu:

Ainda assim há aqueles que mesmo sem pernas podem voar,
pois há outros que mesmo com pernas para voar
lhes cortam as asas para andar.

Bons Voos e Muitas Felicidades

Depois dos cometes e beberetes lá vem a prendoca com o postalzito em apenso,. . . e que “suspenso�. . . ! Lá começa, lá foi lendo, lendo, lendo de todos os outros lá os beijos e beijinhos, saúde e felicidades também, que o FCP lhe pintasse a camisola doutra cor e rebéubéu pardais ao ninho.!
Eis que chega a vez da dedicatória de Gato Bravo e eis que ele, Big Boss Rato Velho com um sorriso no rosto, cessa por aí a parada da leitura, deixando-a calada e só para ele.
Pois é . . ., Big Boss Rato era daqueles velhos e matreiros que, conhecendo bem seus Gatos Bravos jogou à defesa e ia cuscando primeiro o teor do próximo dedicatório, e assim pôde escapar ileso à pancadinha psicológica de cara descoberta. Pena, pois assim calou a mensagem também aos ouvidos dos “outros� presentes.

Entretanto, e também Gato Bravo com um sorriso matreiro nos olhos, se esticam os punhos ao brindete e se dá por terminado o festete.
Grato Bravo sente algum desalento mas também o contentamento pois afinal tinha atingido mais um dos que têm nas mãos o silêncio em parceria com a inércia transformada num umbigo gigante. Que lhe ficasse na caixa das lembranças para mais tarde recordar, e lhe tocar no balanço de suas graças,
a sua consciência.

Contestar e sensibilizar o ser humano na construção dum mundo melhor não é só nas “campanhas�, é também no dia a dia!A crueldade do Gato que se perdoe pela maldade de Rato! . . . ou não
Ana Pereira