Cada um de nós é uma catedral. Vamos crescendo, mudando de forma, deparamo-nos com algumas fraquezas que têm de ser corrigidas, nem sempre escolhemos a melhor solução, mas apesar de tudo continuamos em frente, tentando manter-nos erectos, correctos, de modo a honrar não as paredes, nem as portas ou janelas, mas o espaço vazio que está ali dentro, o espaço onde adoramos e veneramos aquilo que nos é caro e importante.
Mas o que está no espaço vazio da minha catedral interior?
Não acredito no poder curativo do sofrimento e das tragédias; eles apenas acontecem porque são parte da vida e não devem ser encarados como punição. Geralmente, o Universo indica-nos que estamos errados quando nos tira o que temos de mais importante: os nossos amigos. Descobri uma coisa recentemente: os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado quando as coisas boas acontecem. Eles torcem por nós, alegram-se com as nossas vitórias. Os falsos amigos são os que só aparecem nos momentos difÃceis, com aquela cara triste, de "solidariedade", quando na verdade o nosso sofrimento está a servir para os consolar nas suas vidas miseráveis.
Escrever é uma das actividades mais solitárias do mundo.
Olho para o mar desconhecido da minha alma, vejo que existem ali algumas ilhas - ideias que se denvolvem e estão prontas para ser exploradas. Então agarro no barco - a Palavra - e navego para a que está mais próxima. No caminho defronto-me com correntes, ventos, tempestades, mas continuo a remar, exausto, agora já consciente de que fui afastado da minha rota: a ilha a que pretendia chegar deixou de estar no meu horizonte. Mesmo assim, não posso voltar atrás; tenho de continuar de qualquer maneira ou ficarei perdido no meio do oceano. Então descubro uma força e uma coragem que desconhecia existir: elas ajudam-me a aventurar-me pelo lado desconhecido da minha alma, deixo-me levar pela corrente e acabo por ancorar o meu barco na ilha para onde fui conduzido. A partir daà deixo de ser o homem perdido na tempestade: encontro-me comigo mesmo através do que escrevi e os outros entenderam. Compreendo enfim que a minha alma não está só.
Mas o que está no espaço vazio da minha catedral interior?
Não acredito no poder curativo do sofrimento e das tragédias; eles apenas acontecem porque são parte da vida e não devem ser encarados como punição. Geralmente, o Universo indica-nos que estamos errados quando nos tira o que temos de mais importante: os nossos amigos. Descobri uma coisa recentemente: os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado quando as coisas boas acontecem. Eles torcem por nós, alegram-se com as nossas vitórias. Os falsos amigos são os que só aparecem nos momentos difÃceis, com aquela cara triste, de "solidariedade", quando na verdade o nosso sofrimento está a servir para os consolar nas suas vidas miseráveis.
Escrever é uma das actividades mais solitárias do mundo.
Olho para o mar desconhecido da minha alma, vejo que existem ali algumas ilhas - ideias que se denvolvem e estão prontas para ser exploradas. Então agarro no barco - a Palavra - e navego para a que está mais próxima. No caminho defronto-me com correntes, ventos, tempestades, mas continuo a remar, exausto, agora já consciente de que fui afastado da minha rota: a ilha a que pretendia chegar deixou de estar no meu horizonte. Mesmo assim, não posso voltar atrás; tenho de continuar de qualquer maneira ou ficarei perdido no meio do oceano. Então descubro uma força e uma coragem que desconhecia existir: elas ajudam-me a aventurar-me pelo lado desconhecido da minha alma, deixo-me levar pela corrente e acabo por ancorar o meu barco na ilha para onde fui conduzido. A partir daà deixo de ser o homem perdido na tempestade: encontro-me comigo mesmo através do que escrevi e os outros entenderam. Compreendo enfim que a minha alma não está só.
Paulo Coelho

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