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Salmoura

Oh a mulher como é côncava
de teclas ter no abdómen
de sua porção de seda
ser o curso do rio homem
Oh o homem como é ângulo
aberto de procurar
o sítio onde nasce o ouro
na salmoura da mulher mar
Oh os dois como se fundem
na preia-mar dos lençóis
despidos como fogo e água
Deus de dois ventres ferozes
e quatro olhos de fava!

Natália Correia